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Obesidade cerebral

Drew Manning, um treinador físico americano, teve uma brilhante ideia para ajudar seus clientes a perder peso: ele próprio ganharia peso e depois emagreceria junto com os alunos. Além de encorajá-los de forma mais efetiva, poderia entender melhor as dificuldades e acabaria por se tornar um educador físico ainda melhor.


Foi com essa estratégia em mente que Drew ganhou 32 Kg consumindo doces, refrigerantes e outros alimentos de alto índice calórico ao longo de vários meses.


Quando se deu por satisfeito e decidiu que já era o momento de retornar ao peso habitual, Drew teve uma grande surpresa: ele não tinha apenas ganhado peso, ele havia se transformado em uma pessoa diferente, não apenas sob a perspectiva física, mas principalmente sob o aspecto emocional.


Drew agora não tinha mais vontade de treinar e descobriu que, para retornar ao peso habitual, não seria suficiente apenas “deixar de consumir alimentos calóricos”, já que isso levava a incríveis crises de abstinência e ansiedade, ele teria que ressignificar seus pensamentos e seus sentimentos.


No artigo científico intitulado Basal Ganglia Dysfunction Contribuites to Physical Inactivity in Obesity, publicado em 2016, os pesquisadores relatam que o ganho de peso provoca mudanças bioquímicas em estruturas profundas do cérebro humano, dificultando a prática de atividade física regular e piorando o sedentarismo. O sedentarismo por sua vez piora adicionalmente a obesidade, levando ao clássico ciclo vicioso, que se retroalimenta até que surja algo mais forte capaz de desfazer o ciclo.


Foi a duras penas que Drew Manning conseguiu retornar à sua condição metabólica anterior. De fato, Drew se tornou um treinador melhor, já que agora conhecia mais a fundo as dificuldades de seus clientes. Porém, em vários momentos, teve medo de não conseguir e desistir.


David Márcio é neurologista clínico na cidade de Campo Grande / MS

CRMMS: 11574

RQE: 6870

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